Departamento de Engenharia Electrónica e Informática
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O DEEI na imprensa: "Universidades Impulsionam Evolução Tecnológica"

Não é só lá fora que os alunos desenvolvem grandes projectos tecnológicos, não é só lá fora que as universidades contribuem com avanços científicos para a sociedade e se envolvem na criação de aplicações e serviços para empresas e entidades públicas, nem é só lá fora que estes espaços de ensino merecem lugar de honra nos avanços das tecnologias da informação. O que se passa é que "aqui dentro", às vezes, o sucesso fica entre portas e o crédito fica esquecido.

A PCGuia foi saber o que se passa dentro das unidades de investigação e desenvolvimento das universidades portuguesas e confirmou que grandes empresas nasceram de pequenos projectos universitários, que muitas aplicações implementadas em instituições públicas foram desenvolvidas e são mantidas por grupos de trabalho dentro destas instituições de ensino e que existem centenas de projectos em curso capazes de deixar a sua marca na evolução tecnológica do país e do mundo.

Cada vez mais as universidades portuguesas apostam na investigação e desenvolvimento e trabalham em projectos e soluções que envolvem parcerias nacionais e internacionais. É disto exemplo o recentemente anunciado projecto CiTy Motion, que nasce de uma parceria entre a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e o Instituto Superior Técnico (IST), e que conta com o contributo de grandes empresas nacionais, como a TMN, Carris, Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP), Transportes Intermodais do Porto (TIP), Metro do Porto, Frotcom, Geotaxis e as câmaras municipais de Lisboa e do Porto. Este projecto, que promete revelar-se uma grande ferramenta ao serviço não só do cidadão, mas também das Forças de Segurança, Protecção Civil e Emergência Médica, conta com o envolvimento de 10 investigadores (cinco portugueses e cinco do MIT), apoiados por vários alunos de doutoramento.

As universidades norte-americanas têm por tradição um relacionamento muito próximo com as empresas, e investem nos laboratórios e equipas de várias instituições de ensino para a criação de valor. A colaboração entre a comunidade científica e as empresas é cada vez mais próxima também em Portugal, devido ao facto de o tecido empresarial ter já percebido que as soluções tecnológicas fornecidas pelas universidades contribuem fortemente para a competitividade económica de qualquer país. Os projectos em curso ou já concluídos que nasceram nas várias universidades do nosso país são muitos, por isso, a PCGuia falou com algumas instituições de peso nacionais e pediu exemplos.

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UNIVERSIDADE DO ALGARVE

Para além da licenciatura em Engenharia Informática, e mestrados em Engenharia Informática, e em Engenharia Electrónica e Telecomunicações, a Universidade do Algarve (UAlg) possui uma forte componente de investigação materializada em dois centros. O Centro de Electrónica Optoelectrónica e Telecomunicações (CEOT) é um centro de investigação avaliado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia como Muito Bom, e consequentemente financiado. As linhas de investigação cobrem as áreas de redes de telecomunicações de banda larga, tecnologias emergentes e dispositivos electrónicas para suporte às telecomunicações, electrónica de consumo e sensores.

Na área da electrónica, a investigação desenvolve-se no âmbito da electrónica orgânica e a sua aplicação em dispositivos LED, circuitos integrados, células fotovoltaicas e sensores. Uma área emergente do centro é a aplicação de técnicas electro-ópticas baseadas em técnicas de dispersão aplicadas ao estudo de tecidos biológicos.

O SiPLAB, Laboratório de Processamento de Sinais, é um centro de desenvolvimento e integração de sistemas de acústica oceanográficos autónomos dedicados à observação remota do oceano, detecção e seguimento de alvos e sistemas de comunicação submarinas. Na prática, representa um braço tecnológico nacional no campo das tecnologias marinhas relativas à utilização da acústica como meio de observação e comunicação submarina. Pertence ao laboratório associado ao Instituto de Sistemas de Robótica - pólo de Lisboa.

Como projectos de investigação propriamente ditos, a UAlg destaca o Easyvoice, pela inovação que aportou. Um aluno de doutoramento da UAlg, portador de paralisia cerebral, sob orientação de Fernando Lobo, desenvolveu um trabalho de investigação na área das tecnologias de informação e comunicação para o auxílio de pessoas com paralisia cerebral. Trata-se de uma aplicação que integra sintetizadores de voz com aplicações de voz sobre IP. O programa permite que uma pessoa com deficiência de voz possa fazer chamadas telefónicas via Internet para qualquer parte do mundo, utilizando uma voz sintetizada pelo computador, quebrando assim parte do isolamento que normalmente afecta estas pessoas.

O aluno, Paulo Condado, terminou a sua licenciatura em Informática de Gestão na Universidade do Algarve em 2002, e tem trabalhado como investigador desde essa altura. O seu trabalho tem sido apoiado e financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Do CEOT nascem ainda dois projectos inseridos em duas áreas distintas: nova geração de memórias não voláteis e redes rádio sobre fibra. O primeiro envolve uma parceria entre o CEOT, os laboratórios de investigação da Philips, em Eindhoven, e a Universidade Técnica de Eindhoven para o desenvolvimento de novas memórias não voláteis que sejam escalonáveis a uma dimensão inferior a 40 nanómetros, tenham comutações rápidas e sejam compatíveis com a tecnologia CMOS. As actuais memórias, do tipo flash funcionam com base na retenção de carga eléctrica num dieléctrico e não podem reduzir mais de tamanho, porque o número de electrões disponíveis vai sendo cada vez menor.

As memórias em estudo na Universidade do Algarve funcionam com base num fenómeno físico que provoca variações de resistência eléctrica até nove ordens de grandeza. Esta nova classe de memórias, designadas por memórias resistivas, ou Resistance Random- Access Memories (RRAM), pode revolucionar as tecnologias de informação. Os futuros computadores podem ser desligados rapidamente para poupar energia e voltarem a ser ligados quase instantaneamente. As arquitecturas das memórias dos computadores irão desaparecer para dar lugar a sistemas muito mais simples, que não precisam de cache nem de refresh.

Os primeiros protótipos destas memórias estão a ser medidos nos laboratórios do CEOT. Estão a decorrer experiências para perceber qual é o mecanismo físico que controla a taxa de comutação destas novas memórias. A competição entre as empresas está no auge para conseguir vencer esta batalha tecnológica e colocar as primeiras memórias RRAM no mercado.

No caso do segundo projecto, que envolve as redes de rádio sobre fibra, o desafio é aumentar a velocidade de transmissão das actuais redes sem fios. O aumento de velocidade de transmissão corresponde a um aumento de largura de banda, o que exige a migração do actual espectro congestionado utilizado pelas redes sem fios para uma banda de frequências menos congestionada na região das ondas milimétricas. No entanto, estas futuras redes necessitam de células mais reduzidas do que as das actuais redes. Por um lado há a necessidade de alimentar um elevado número de células, mas por outro lado este elevado número de células proporciona uma gestão eficiente da rede quer em termos de recurso centralizados numa estação central, quer em termos energéticos e consequente simplificação e redução de custos das estações-base.

Neste contexto, a tecnologia rádio sobre fibra funciona como uma estrutura transparente de acesso entre uma estação central e as células da rede. Estas redes de acesso rádio sobre fibra podem ainda explorar técnicas de multiplexagem por divisão de comprimento de onda (Wavelength Division Multiplexing, WDM) com vantagens em termos de aumento de capacidade, facilidade de gestão, flexibilidade no encaminhamento e protecção da rede. Este projecto de investigação está a ser financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e liderado pelo CEOT em colaboração com a indústria e outras instituições de investigação (Nokia Siemens Networks e o Instituto das Telecomunicações e INESC-Porto).

Um dos exemplos mais interessantes nasce, porém, no SiPLAB e envolve um projecto europeu para criar uma rede de comunicação wireless debaixo de água. O Laboratório de Processamento de Sinais da UAlg lidera um grupo de seis parceiros europeus que pretendem criar uma rede sem fios para comunicar através do som dentro de água. Os cinco nós desta rede (dois móveis, dois fixos e uma estação de base que assumirá o papel de cérebro de toda a operação) cobrem um perímetro subaquático de 100 km2, e vão transmitindo mensagens entre si através de uma espécie de e-mail (enviam texto e imagens uns aos outros usando ondas sonoras, que se propagam facilmente debaixo de água). O objectivo é colocar a rede wireless ao serviço da segurança subaquática de infra-estruturas estratégicas, como plataformas petrolíferas ou instalações de geração de energias renováveis. Além do SiPLAB, participam no projecto europeu Underwater Acoustic Network (UAN) cinco centros de investigação e empresas da Itália, Noruega e Suécia.

Como explicou Sérgio Jesus, coordenador do SiPLAB e do projecto UAN, o conceito chave do projecto é a mobilidade. Todos os nós desta rede estarão equipados com vários sensores, capazes de detectar potenciais ameaças a infraestruturas estratégicas como plataformas petrolíferas ou instalações de geração de energia, tanto em alto mar como em zonas costeiras, e informação sobre temperatura da água, a velocidade das correntes ou a oscilação da coluna de água, monitorizando a todo o tempo o perímetro que defendem.

A controlar as operações estará uma cadeia de sensores, a estação-base, que consiste numa antena com 60 metros de altura, constituída por uma base, uma unidade de telemetria, um modem e vários sensores ao longo de um cabo que termina num flutuador abaixo da superfície. «E ao SiPLAB que compete a tarefa específica de desenvolver a estação-base, que é, no fundo, uma antena acústica que vai controlar a actividade de toda a rede», explicou.

Qual foi a grande mais-valia que a UAlg conseguiu imputar a todo este projecto? «Até agora a comunicação subaquática tem vindo a ser feita ponto a ponto, o que cria grandes problemas devido à variabilidade do meio. O conceito de rede em que estamos a trabalhar vem permitir fazer uma gestão mais eficaz de todo o processo comunicacional; permite-nos escolher qual é o melhor caminho em dado momento para colocar dois nós em contacto, tornando a troca de informação mais rápida e efectiva, o que permite igualmente uma reacção mais célere», indicou Sérgio Jesus. Iniciada em Outubro de 2008, a UAN terá de esperar até Setembro de 2010 para ser testada pela primeira vez em águas italianas, numa operação em que vão participar todos os parceiros do consórcio europeu coordenado pelo SiPLAB. Em 2011, terá lugar o teste final, na Noruega, sendo que já em Março de 2010 serão efectuados, ao largo de Vilamoura, testes preliminares à estação-base que está a ser desenvolvida na UAlg.

Estes são apenas alguns dos exemplos de projectos em curso ou que nasceram nesta universidade. No entanto, como referiu Pedro Guerreiro, presidente do Conselho Científico da Faculdade de Ciência e Tecnologias da UAlg, a Universidade do Algarve tem relações de parceria bem estabelecidas com algumas das principais empresas da região no domínio da informática, nomeadamente com a Algardata e com a Visualforma. «No âmbito destas parcerias, muitos alunos da UAlg têm passado como estagiários por estas empresas, alguns acabando por se empregar nelas», indicou.

Fonte: PC Guia

Autora: Susana Esteves

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